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Amigo imaginário na infância

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Qual criança que não ama um ursinho?

Aqui em casa os meninos amam pelúcias, amam tanto que cada um dorme com 4, isso mesmo? Mas um desses ursinhos se tornou mais que urso, se tornou um amiguinho imaginário, o fofinho!

Todas as brincadeiras envolvem o fofinho, ele tem voz, vontade e tudo mais!
O amigo imaginário pode ser imaginário mesmo, ou uma boneca ou um urso de pelúcia. Algumas fingem ser outra pessoa, outras cantam e tem aquelas que inventam um amigo só seu, com pensamentos, vontades e conselhos sob medida para atender sua vontade! Dizem que crianças que têm amigos imaginários são criativas!
É normal uma criança a partir de 3 anos ter um amigo imaginário e não precisa ser filho único para ter esse amigo!

Você já viu seu filho conversando com o seu amigo imaginário? 

Se seu filho tem um amigo imaginário, isso significa que ele é uma criança muito criativa.

Muitas vezes, essa amizade é tão rica e tão cheia de detalhes que pega a família toda de surpresa e muitas crianças experimentam esse tipo de companhia em algum momento da infância.

Aliás, crianças muito inteligentes tendem a ter amigos imaginários. O fenômeno também é mais comum com primeiros filhos, que têm menos companhia.

Algumas pesquisas sugerem que crianças que criam amigos invisíveis gostam de interagir com outras pessoas e, justamente por isso, inventam uma para sempre estarem acompanhadas.

A psicóloga da Unicamp Luciene Paulino Tognetta, especialista em Desenvolvimento Social e da Personalidade, conta que esses amigos podem surgir aos 3 anos, mas são mais comuns por volta dos 4 anos e 5 anos de vida da criança, quando ela está no auge do período de representação simbólica. “Nessa fase, é forte a capacidade de evocação do que não é real, da fantasia. A criança entra em constante dramatização e a brincadeira de faz de conta é parte do dia a dia”, explica a especialista.

O amigo imaginário é apenas uma das formas de lidar com a realidade, e não está diretamente relacionado ao nível de criatividade e imaginação. Tampouco é verdade que filho único tem laços mais estreitos com eles. Para muitas crianças, é mais fácil usar uma boneca ou um bicho de pelúcia para entrar nesse jogo simbólico de fantasia. Algumas fingem ser outra pessoa, outras cantam. E tem aquelas que inventam um amigo só seu, com pensamentos, vontades e conselhos sob medida para atender aos anseios de seu criador.

“Pode ser uma maneira de lidar com lacunas de relacionamento, de entender seus próprios sentimentos ou uma situação que está vivenciando. Esse companheiro pode assumir várias formas, menino, menina, urso, boneca, cachorro e servir à criança para distrair, brincar, brigar… “O amigo imaginário é um interlocutor que diz se o que ela está fazendo e pensando é certo ou errado, como um conselheiro”, afirma.

Esse tipo de comportamento vai embora sozinho com o tempo. Fique tranquila e deixe seu filho aproveitar a companhia do “amigo”. É uma fase comum da infância que logo vai acabar.

Uma ideia é registrar a história num caderno de recordações, por exemplo. No futuro talvez ele ache legal saber qual era o nome do amigo imaginário de quando era pequenininho. O registro também pode ajudar seu filho a relatar os próprios medos e frustrações.

Observar a interação da criança com o amigo imaginário pode dar aos pais boas pistas sobre os sentimentos do filho. Se o colega invisível está com medo de monstros debaixo da cama, por exemplo, pode ser que esse medo seja da própria criança.

Embora não haja pré-requisito para usar desse artifício, um estudo de 2005 da Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que as meninas têm 60% de chances de ter um amigo imaginário, enquanto os meninos têm 40%. Maria Ângela Barbato, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, explica que isso acontece porque, em geral, os meninos se relacionam com o imaginário de um modo diferente. “Eles gostam de se fingir de super-heróis. Já para elas, é mais fácil o personagem sair da imaginação para brincar.”

Um processo natural

Em geral, não há o que os pais possam temer. A presença do amigo imaginário na vida do filho não é um problema, pelo contrário, pode até ajudar no processo de desenvolvimento da criança. Propiciar mais momentos de diversão e ajudar na aceitação de limites foram citados por eles como os principais benefícios dessa amizade desde que a fantasia não se sobreponha à realidade.

O momento do adeus

A hora do amigo invisível ir embora varia de criança para criança, mas, geralmente, esse abandono acontece perto dos 7 ou 8 anos. “De repente, ela percebe que ele não faz mais sentido porque já encontrou outros caminhos para lidar com a realidade. O que antes vinha do pensamento é transformado em sentimentos reais, próprios da maturidade emocional e cognitiva”, esclarece a psicóloga Luciene. Mas em vez de você ficar preocupado porque o amigo não vai embora, o melhor é prestar atenção na intensidade da brincadeira. “Independentemente da idade do seu filho, o companheiro imaginário não pode afastá-lo de suas atividades rotineiras nem substituir a convivência com crianças reais.”

Na maioria dos casos, a companhia imaginária é uma fase de transição. E, enquanto ela não passa, é melhor que os pais tratem a situação com normalidade, sem dar castigo ou repreender a criança para que ela não fique insegura e recorra à mentira. Entrar na brincadeira e aceitar que, por aquele período, a sua família ganhou um novo membro é a melhor saída. Pedir desculpa ao amigo invisível por sentar em cima dele ou, depois do cinema, perguntar o que ele achou do filme são boas maneiras de mostrar à criança sua aceitação.

Só tome cuidado para não se apropriar dele. Por mais tentador que possa parecer, não diga coisas como: “Vá buscar seu amigo para dormir” ou “Ele vai ficar bravo se você não comer toda a comida”. A criança precisa ter plena ciência, e em geral ela tem de que aquele ser vem da cabeça dela, e só. Se os pais reforçarem demais a presença dele, pode ser que o filho pare de encará-lo de forma natural e passe a usá-lo como algo para chamar a atenção dos adultos.

Dicas para entender mais sobre o companheiro invisível

Um desenho
Mansão Foster para Amigos Imaginários (Cartoon Network, sem horário fixo) – O desenho conta a história de Mac, um menino de 8 anos que é obrigado pelos pais a abandonar Bloo, seu amigo imaginário. Para não desaparecer, ele muda-se para uma mansão onde vivem vários companheiros “invisíveis”.

Um livro
Memórias de Um Amigo Imaginário (Matthew Dicks, Id Editora) – O livro é narrado sob o ponto de vista de Budo, amigo imaginário do garoto autista Max. É uma história cheia de sensibilidade, essencialmente sobre o poder
de um amigo, seja ele real ou não.

Uma tirinha
Calvin e Haroldo – Criada em 1985, a série de tirinhas escritas e ilustradas pelo autor americano Bill Watterson é sucesso no mundo inteiro até os dias de hoje. As enrascadas que Calvin apronta para seu tigre de pelúcia imaginário e supersincero são a grande sacada das histórias.

Um filme
Uma Família em Apuros (2012, FOX Films) – Apesar de não ser o enredo central, você vai dar muitas risadas com as aventuras de Barker, 5 anos, e seu canguru imaginário. É uma boa oportunidade para entender esse momento de transição entre fantasia e realidade.

Fonte: Revista Crescer

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Laura Carvalho
Laura Carvalho Mãe do Jean (5 anos) e do João (4 anos), 31 anos, Influencer Digital, autora dos Blogs Mãe de 2, Nós Mães e Mães na Corrida. E desde o nascimento do Jean ela largou a carreira para se dedicar totalmente a maternidade. Após mudar para São Paulo começou a escrever e dividir suas experiências com outras mães através do site e suas redes sociais. No final de 2015 Laura encontrou um novo hobby, e que tem se dedicado cada vez mais, corridas de rua, só em 2016 Laura participou de mais de 40 provas.